sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Para de se cortar



            Olha ela...
        Olha aquele cristal, inundado de sal, fazendo brilhar mais ainda o rosto dela.
        Será que ela não vê que isso não se faz?
        Será que ela não vê que o que muda assusta mesmo?
        Será que ela não vê que se cortar só faz doer mais?
        O moça,  ninguém corta as pernas pra não esfolar os joelhos. Além disso, você nem sabe se vai mesmo cair.
        Você é só você moça, e não a estrada que te trouxe até aqui.
        E se você não fosse cair? Você não ganha nada em se mutilar assim.
        Vê bem moça,  que se você cortar as pernas fora, além de não ter a delícia de andar nessa estrada, você mesma se derruba e faz doer.
        O moça, não tem medo não, que se tu cair, eu tô bem aqui, e tem mais gente também pra te dar a mão, te dar o ombro, te dar os braços. 
        O moça,  não precisa correr não,  que eu sei que dá mais medo, mas caminha na tua estrada, que tu sabe mais que ninguém, que é melhor doer porque tu andou, que doer porque tu ficou parada.

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Um sorvete e uma taça de vinho


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       Para tudo que tá te destruindo, agora.

      Ou não para, vai com calma, que faz tempo que você tá tentando, mas o mundo todo tá te atrapalhando. Sim. Até mesmo os que estão tentando te ajudar, porque eles mesmos podem estar tentando enquanto você não vê.

      Eu assisti um a um vídeo de uma psicóloga, que fez com que alguma coisa aqui dentro se movimentasse. Algo que encaixou com alguma coisa que a terapia me trouxe, que encaixou com alguma coisa que a vida me trouxe, que encaixou alguma coisa que uma amiga viveu, que encaixou com alguma coisa que eu percebi olhando pra alguma menina na rua, porque no fim, tudo é assim, tudo se encaixa.

      Se você acha que agora tá no caminho certo, parabéns, porque pra quase 100% das pessoas, a vida é uma grande frustração. Se você realmente acredita que tá tudo perfeito agora, você tá errado, ou você é um ser humano premiado na face da terra, ou você enlouqueceu.

      Para de se odiar por isso, ou só para de se sentir obrigado a achar que tá tudo bem. Para de achar que você tem que amar lavar a louça porque é sinal de que você teve o que comer; para de achar que você tem que amar cada coisinha na sua vida; para de achar que você tem que amar o que vê no espelho (porque as estrias que a gravides me deu são prova desse amor, ou porque a barriga que a cerveja me deu é prova de que eu curti a vida).

        Apenas pare.

      O contrassenso que a gente vê por aí chega a dar um nó na cabeça, mas principalmente no coração e no estômago.

       De um lado, o padrão que a sociedade impõe e que muda a cada ano, delimitando tudo entre o entre os manequins 36 e 38, pra deixar tudo mais difícil. De outro, uma nuvem que vem dizendo: se aceita e se ama como você é, porque você é linda assim.

        O problema tá no meu manequim 44, tá em mim que olho no espelho dizendo que tá tudo bem enquanto o que quero mesmo é pelo menos me aproximar do padrão, já que eu sei que a minha bunda é grande e o 40 vai entrar rasgando mesmo que eu seque, porque com 12 anos eu já usava esse tamanho, e sempre sobrava na cintura, mas menor que isso não passava na minha coxa.

        O problema tá em tanta gente que usa manequim 40 e não admite isso, e acha um absurdo que uma coxa encoste na outra, e acorda às cinco da manhã pra ir pra academia, enquanto posta que tá pago, reza pra gordura (que deve ser a oleosidade da pele) sair e diz que a gente tem que se aceitar mesmo sendo gordinha.

        Para. Você não é um pedaço de pano. Uma coisa é você usar vestido longo num verão e short jeans no outro, outra coisa é usar sutiã 50 num ano e 42 no outro, simplesmente não dá pra se adaptar ao que as revistas ditam.

        Calma. Você não precisa aprender a amar os defeitos que você tem, você precisa aprender que você não é obrigado a amar esses defeitos, e descobrir o que é que você precisa arrumar na sua casa, e o que falta na sua mobília, e como você pode completar e organizar o que der, e como você pode conviver com o que não puder ter.

        Vai devagar. E entende que o caminho dói sim, que é difícil aprender a viver com as faltas que a gente tem, pelo simples fato de que muitas vezes a gente nem sabe o que tá faltando e vai tentando ocupar o espaço com qualquer outra coisa que encaixa ali.

        Eu não sei o que você está esperando, que falta você tem. Eu nem sei o que eu tô esperando, mas eu sei bem que não adianta correr pra tentar arrumar as coisas, eu só não sei como a gente faz pra saber lidar com isso. Mas enquanto eu tento descobrir, eu vou ficar aqui, com a minha terapia, um sorvete e uma taça de vinho.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Eu não vou namorar com você






       Vamos começar sendo objetivos. Hoje eu estava ouvindo rádio e dei o azar de me deparar com esse absurdo do cancioneiro brasileiro. "Vidinha de Balada - Henrique e Juliano". Vamos lá.
       "Oi, tudo bem? Que bom te ver. A gente ficou, coração gostou, não deu pra esquecer". Quando a gente vê esse pedacinho, até da pra pensar que vai dar certo, mas eles continuam.
       "Desculpa a visita, eu só vim te falar: Tô a fim de você, E SE NÃO TIVER VOCÊ VAI TER QUE FICAR. Eu vim acabar com essa sua vidinha de balada, e dar outro gosto pra essa sua boca de ressaca". Pronto, cagou tudo. Pra começar, quem disse que a menina não quer mais e vidinha de balada dela? Ela pode estar muito feliz assim. Mas eles não se deram por satisfeitos e continuaram.
       "VAI NAMORAR COMIGO, SIM! Vai por mim, igual nós dois não tem. SE RECLAMAR, CÊ VAI CASAR TAMBÉM. Com comunhão de bens. Seu coração é meu e o meu é seu também".
       Gente. Gennnte. GENTEEEE! De onde esse povo tirou essa merda???
       Sério gente, todos os dias estamos pedindo, gritando, implorando pra que as pessoas percebam o absurdo de se querer obrigar (e daí nem se fala só de mulheres, mas o ser humano em geral), a fazer o que a outra pessoa quer.
       Não é de hoje que se diz que "quando um não quer, dois não brigam", mas infelizmente as pessoas não estão entendendo o quanto é necessário que realmente as coisas funcionem assim, porque simplesmente ninguém é obrigado a estar do seu lado ou a se dobrar a qualquer que seja o seu desejo.

       Então, aceite, você vai ter que lidar com a frustração de que outra pessoa não te quer, e vai ter que viver com isso até a dor passar.
        Fato é que, a essas alturas do campeonato, é muito triste imaginar que alguém cante uma música dizendo "Vai namorar comigo sim, se reclamar vai casar também", e que essa música ainda atinja um público, inclusive bastante feminino.
       As pessoas romantizam de uma maneira esse tipo de abuso que eu realmente não consigo compreender. Eu realmente queria que alguém me explicasse o que há de bonito em alguém se achar no direito de obrigar uma pessoa a namorar, a casar, a qualquer coisa no universo, porque não tem lógica.
     Raciocinem pessoas, ponham a mãozinha na consciência e reflitam: é por isso que existe relacionamento abusivo gente, e o que é pior, é por isso que existe estupro. Não da pra engolir essa merda, que dirá cantar, feliz.
        Da uma vontade de sair gritando: NÃO VOU NAMORAR COM VOCÊ. NÃO VOU CASAR COM VOCÊ, QUEM DERA QUE NÃO TIVESSE IGUAL A NÓS DOIS JUNTOS, PORQUE VOCÊ QUER ME FORÇAR A FICAR AQUI. E outra coisa, se eu soubesse que você é esse babaca, estúpido, eu nem tinha ficado com você.

       Enfim, me senti na obrigação de desabafar e falar dessa coisinha que eu quero acreditar que as pessoas não se deram conta ainda, porque definitivamente, essa historinha que eles cantam não é bonitinha, não é romântica, ISSO NÃO É AMOR.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Brincando com Lágrimas



 


        Clarisse se debruçou sobre a pia e começou a derramar grossas lágrimas, contando uma a uma.
        Analisava cada uma delas rolando, levando consigo rajadas do hábito negro que levava sempre nos olhos. Via na neblina de cada lágrima aquela dor que transbordava de seu ser.
        Havia decidido dar um tempo àquilo que de melhor tinha escolhido viver, desistiu de tudo que tinha por sentir que estava sendo o pior para o que tinha de melhor.
        Por cansar de ferir, Clarisse feriu-se, decidiu que preferia que aquela dor que sentia transbordasse toda de uma só vez.
        Clarisse transbordou tudo que tinha. Transbordou alma e banheira, afiou espírito e lâmina, e deitou-se em seu lençol úmido de dor.
        Tocou aquelas lágrimas nubladas, provou seu sal e seu amargor, em todo o sabor daquele sofrer.
        Com o fio da última angústia, fez escorrer a vida que pensava que não tinha, e viu fugir de dentro de si a cor da paixão que não sabia ser tão correspondida.
        Fechou os olhos para a escuridão que deixou, para o tudo que tinha e de que fugiu.
                                                                                                

sábado, 20 de agosto de 2016

Cidade dos Etéreos: O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares - Ransom Riggs




        Esse livro, antes de tudo, é lindo! Capa dura, delicada, fazendo um tipo de releitura das capas de livros antigos, vem com uma luva que é demais, na qual pra mim, o maior detalhe é que ela é levemente cintilante, um detalhe que é bem especial, já que o livro tem uma base toda em imagens escuras, então essa cintilância, além do tom azul lindo da capa, deixam o livro com uma aparência mais leve.
        Enfim, essa obra, editada pela Intrínseca,  nitidamente foi escrita de um jeito totalmente diferente do primeiro, o que só faz amar muito mais o autor.
        Já tinha ficado claro no primeiro livro da série todo o talento de Riggs, mas escrevendo esse livro ele se superou ainda mais, afinal, escrever um livro com base nas imagens que se tem, é certamente complicado, mas dar continuidade a isso tendo que encontrar as imagens certas pra se encaixar no contesto, obviamente é ainda mais complicado, contudo, o autor não perde o brilhantismo.
        Ransom Riggs faz parecer muito fácil a tarefa de emendar uma história perfeita, continuar somando imagens impressionantes e mesmo assim permanecer com ela fechada.
        Sempre tenho medo de ler continuações, dificilmente elas se aproximam do primeiro livro. Muitas vezes os autores escrevem a continuidade porque o primeiro da série fez sucesso, e normalmente, por aquela história estar "encerrada" eles acabam não conseguindo fazer um trabalho tão bom quanto o primeiro.
        Isso não acontece aqui. Tanto quanto o primeiro, o segundo livro da série, "O Orfanato da Srta. Peregrine" não deixa espaços abertos, ele traz cada detalhe. Ele é um livro perfeito pra quem gosta de visualizar o que está lendo, porque a gente não precisa se esforçar muito pra ver o que tem ali, já que o autor parece estar de frente para o que está escrevendo, e com perfeição te leva pra junto dele.

        A Cidade dos Etéreos é um livro muito mais cheio de aventura e fantasia que o primeiro livro.
SIM, É POSSÍVEL!
        Muitas voltas acontecem nesse livro, momentos de verdadeira tensão são narrados, apresentando novos lugares e novos personagens, alguns de maneira impressionante, como os artistas do circo; outros de forma muito sutil, como é o caso de duas irmãzinhas que surgem em determinado ponto da história, e enchem nossos corações.
       
        De todos os personagens maravilhosos desse livro, o que mais surpreende é a Ave, acreditem, a própria Srta. Peregrine é quem mais nos impressiona nesse livro que tanto quanto o primeiro, é apaixonante e nos faz querer demaiiisssss ter nas mãos "Biblioteca de Almas", terceiro livro da série.
        Já estamos providenciando a a continuação dessa obra prima e esperando que Riggs continue nos surpreendendo e apaixonando.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares - Ransom Riggs


        Eu estou apaixonada.
        Muito obrigada Ransom Riggs. Muito obrigada Leya. Foram diversas as emoções.

        Você já deu uma olhada no antigo álbum de fotografias da sua avó ou daquela tia que guarda aquelas fotos que chegam a ser assustadoras?
        Não negue, se você já fez isso, com certeza, você se perguntou enquanto via aquelas imagens: Por que cargas d'água, alguém quer guardar esse tipo de coisa pra sempre?
        Então, finalmente alguém pensou em algo realmente bom, criativo e inteligente pra fazer com essas fotos.
        O orfanato da Srta. Peregrine é a coisinha linda mais criativa que eu já li.
        Admito, praticamente comprei o livro pela capa, como aposto que muita gente fez, pois as imagens são no mínimo instigantes. Além disso, fui ainda mais impulsionada a comprar o livro depois de assistir o booktrailer. Definitivamente não me arrependi nem um pouco.
        O que vem dentro do livro consegue ser ainda melhor que o que a capa e qualquer comentário possam trazer. Tanto que eu desafio qualquer um a não gostar desse livro. Simplesmente porque, quem ler, com certeza vai se apaixonar pela história. E se de algum modo, conseguir não se apaixonar pelo livro todo, alguma parte vai lhe agradar.
        Isso porque Riggs traz tudo nesse livro. Não da pra entender como alguém tem tanta criatividade pra conseguir juntar várias imagens dentro de uma história, sem em momento algum fugir do contexto, ou abrir espaço pra pensar que uma foto do fim do livro contradiz o que está escrito no começo dele. E isso ainda somado a uma capacidade de trazer romance, suspense, aventura, terror, drama, comédia; tudo em um mesmo texto, dentro de uma única história, inteiramente amarrada pelas imagens.
        Esse cara é demais. Até quem tem preguiça de ler e imaginar a história vai gostar, porque simplesmente os personagens estão ali, e quase que implorando pra que a gente volte e continue lendo a história tão linda deles e descobrindo que é que vem pela frente, quais respostas vão ser dadas e como.
        Terminei hoje o livro e já estou ansiosa, esperando pra receber A Cidade dos Etéreos.
        A continuação da história de Jacob Portman, personagem principal da história, sai agora pela Editora Intrínseca, a qual eu duvido que fique devendo em qualidade para a outra, pois ambas sempre se apresentam lindamente, o que dá pra perceber no booktrailer e na capa que também ficaram ótimos.
         Enfim, não há muito o que dizer sobre esse livro, a não ser: por favor leiam!!! Vale muito a pena acompanhar o Jacob, a Emma, o Millard, a Olive e todas essas criaturinhas, nessa história tão peculiar.
         Aposto que sua mente vai pegar fogo.


domingo, 3 de janeiro de 2016

Lugares Escuros - Gillian Flynn (Lido)


        Bom, quem acompanha o blog e a página, sabe (talvez não lembre) que em agosto, postei uma prévia da leitura de Lugares Escuros (aqui).
        Enfim, finalmente concluí a leitura, que, embora eu estivesse morrendo de vontade de concluir, ficou bemmmm atrasada devido a alguns percalços, além da pausa para a leitura de Caixa de Pássaros, do qual eu falei aqui (alguns livros são tão absurdamente bons, que precisam passar na frente).
        Mesmo assim, Gillian Flynn fez com que eu me arrependesse de ter levado tanto tempo, de ter tido que começar de novo.
        Mantenho totalmente minha ideia que se confirmou a cada página virada. Lugares Escuros é um livro muito bom, muito envolvente e mais, que desperta TODOS os tipos de sentimentos, é um livro pra leitores que viajam com cada linha.
        Muito bem disposto, Lugares Escuros não deixa lacunas. Ele apresenta cada tempo, cada lugar, cada personagem novo/antigo da maneira mais clara, nítida e adequada. Flynn rebate o tempo como poucos, chegando a dar a sensação de que estamos na memória de cada personagem, nos dando asas para ser um pouco de cada um deles e nos fazendo perceber que Libby não é a única responsável pelo título do livro.
        Admito que embora não seja um livro muito longo, tem um final que pesa um pouco por se ver meio arrastado. No entanto esse peso se torna válido, já que claramente é proveniente da riqueza de detalhes que chegam a nos colocar dentro da cena.
        O livro já inspirou filme (provavelmente filmes, porque eu quando li, assisti um na minha cabeça). Quanto ao filme oficial, dirigido por Paquet-Brenner, estou com medo de assistir, mais uma vez, culpa da riqueza de detalhes dados por Flynn, o que me faz julgar Charlize Theron um pouco "passada" pra interpretar a Libby (mesmo que ela esteja ótima pra idade dela, definitivamente não convence).
        Acho que se falar mais vou acabar entregando o livro, porque realmente da vontade de falar tudo. Mas sem spoiler, só da pra dizer que Diondra e Trey Teepano irritam e assustam, Runner da vontade de vomitar, Michelle é a pior criança do mundo e Patty faz pensar até...
        Bom, se continuar, eu entrego.
        Tem que ler pra acender todas as luzes.